Minimalismo

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09:47

Eu escrevi essa frase na bio de quase todas as redes sociais que possuo e rabisquei em várias páginas do Bullet Journal, porque de um tempo pra cá tenho considerado ela um norte para tudo na vida. Mas o que exatamente ela significa? Na tradução literal é: Menos é mais, mas além disso ela tem muito mais significado pra mim desde que eu decidi que queria tentar ser melhor. Vejam bem: TENTAR, porque é claro que nunca serei a melhor pessoa do mundo, muito pelo contrário. Mas só o fato de estar tentando já deve adiantar de alguma coisa e essa frase tem me acompanhado diariamente e através dela venho refletindo sobre algumas coisas que posso melhorar com a ajuda desse princípio:

Menos internet, mais livros: É fato que a internet é nossa aliada em muitos aspectos, porém ela pode ser nossa inimiga principalmente quando se trata de tempo. Tão legal rir com os memes, mas você pisca e quando percebe passou meia hora no Facebook, outra meia hora no Instagram e nesse tempo daria (no meu ritmo) pra ler umas 50 páginas de algum livro.

Menos seguir, mais conteúdo interessante: Já que estamos falando de redes sociais, menos é mais também nelas. Eu já cheguei a seguir mais de 2000 contas no Instagram, tudo que achava legal ia seguindo sem me preocupar com o conteúdo do perfil e aí lotou meu feed de coisa que não me interessava mais e me perdi entre as coisas que eu realmente queria ver e as fotos que nem deveriam estar ali. Deu um certo trabalho, mas deixei de seguir mais de 1300 e cada vez mais estou diminuindo e assim consigo focar nos meus perfis preferidos, conseguindo interagir melhor e ocupando meu tempo com o que realmente me interessa. E isso vale para todas as outras redes sociais.

Menos procrastinação, mais tempo livre sem neura: Eu sou a rainha da procrastinação e estou tentando ao máximo mudar isso. A partir do momento que você consegue fazer tudo sem deixar para depois, o depois se torna um tempo livre para você descansar e não um tempo em que você fica neurótica pensando no que deveria fazer e ainda não fez.

Menos compras, mais qualidade: O minimalismo nas compras não é apenas sobre ter menos, mas sobre ter mais qualidade no que se adquire. É saber que está pagando um pouco mais caro por algo que vai durar muitos anos do que pagar barato em várias peças praticamente descartáveis que acaba se tornando mais caro no final.

Menos mensagens, mais ligações: Eis que meus pais se renderam às novas tecnologias e agora usam o Whatsapp e em vez de ligações nos falamos todos os dias através do aplicativo, eu particularmente estou orgulhosa deles. Mas sinto falta das ligações, eu ao contrário da maioria das pessoas não tenho problema nenhum em falar pelo telefone, prefiro mil vezes do que por mensagem, é muito mais real, principalmente com minha família, ouvir a voz deles aquieta meu coração cheio de saudade enquanto não chega o dia de ir vê-los.

Tenho me interessado muito pela filosofia minimalista e pesquisado bastante sobre isso, portanto esse assunto vai aparecer muito por aqui também.


"Tenho tentado me estressar menos, sorrir mais, carregar menos o peso do mundo nas costas, dormir em paz" 
Clarissa Correa

Livros

Últimas leituras

10:05

Este não é um blog literário, mas os livros fazem parte da minha vida e se o blog é sobre mim, então como não falar sobre livros? Mas pra não ficar monotemático vou falar num post só sobre os últimos livros que li, antes da maratona Harry Potter que estou fazendo e que vou comentar em outra oportunidade (Spoiler: tô amando).


Herathor A.Ridan - 457 páginas - Chiado
Esse livro veio para provar que existe fantasia brasileira e de ótima qualidade, o escritor é da cidade onde eu morava e apesar de não conhecê-lo pessoalmente temos alguns amigos em comum, o que proporcionou a minha leitura. Trata-se de um universo cheio de dragões, orcs, elfos e humanos, convivendo não tão pacificamente, como era de se esperar. As personagens principais são mulheres e isto me deixou mais encantada ainda pelo livro: uma humana, uma orc e uma elfa que tem problemas de relacionamento entre si, mas que mesmo assim saem em uma aventura juntas para um propósito maior. O livro 1 me deixou cheia de vontade de ler os próximos, esperamos que saia logo.


Onde cantam os pássaros Evie Wild - 256 páginas - Darkside
A Darkside é a editora queridinha do momento, porque claramente tem livros ótimos e capas de tirar o fôlego de tão lindas, porém este livro não me encantou tanto assim. Claro que a capa é maravilhosa, porém a história foi um tanto arrastada e eu demorei muito para finalizar a leitura. Cada capítulo é em um tempo diferente, começa com o presente, depois volta pro passado e no próximo volta para um passado mais antigo, a narrativa é realmente confusa. Mas a história em si tem seus pontos positivos, conta sobre a vida de Jake, uma fazendeira que cria ovelhas e precisa descobrir o que está atacando seu rebanho, além de explicar seu passado e como ela foi parar naquela fazenda obscura.


Páginas Opostas Charles Lindberg - 243 páginas
Se tem uma coisa da qual eu me orgulho muito é ser amiga do Charles, ele é inteligentíssimo e escreve muito bem. Este livro ainda não foi publicado por nenhuma editora, mas esteve a venda na Amazon durante um tempo e eu tive a oportunidade de prestigiar. Páginas Opostas é uma história incrível que trata de assuntos bastante delicados com uma pitada de romance, suspense, fantasia, vários conflitos emocionais e muitas referências literárias. Estou torcendo para que logo ele seja publicado e lido por muitas pessoas porque é sem dúvidas uma grande obra que nos faz questionar o que é real e o que julgamos saber.

Música

Tears dry on their own

09:27

Ou, como Amy Winehouse me ajudou a passar por uma crise de ansiedade.

Ontem era domingo de Páscoa e eu ao contrário de todas as outras Páscoas, não passei com a minha família e talvez por esse motivo aliado à TPM (que não amenizou nem com a excessiva quantidade de chocolate ingerida) estive bastante triste, principalmente a noite, pior maneira de se passar esse dia tão especial. E além disso, era domingo e domingo é um dos piores dias da semana pra mim, emocionalmente falando, ganha até da mal falada segunda-feira. Domingo é um dia em que você dorme sabendo que amanhã quando abrir os olhos terá que se levantar e enfrentar a vida, que você dorme pensando em tudo o que tem de fazer (e essa semana particularmente é bastante coisa) e planeja tudo e acha que não vai dar e aí chega aquela velha amiga chamada ansiedade, não que ela precise de motivos para chegar, mas se tiver algum ela com certeza fica bem mais insuportável.

E no meio dessa angústia, pra colocar mais lenha na fogueira da bad me deu vontade de ouvir Amy. Já faz um tempo que assisti o documentário dela e desde então evitei ouvir as músicas porque me faziam lembrar da história, do significado das letras, de todo aquele monte de shit que foi a vida dessa pobre menina. Mas ontem eu ouvi e o que achei que seria um gatilho para ficar pior, foi na verdade algo positivo pra mim, talvez escolhi as músicas "certas" ou consegui fazer uma interpretação mais voltada para a minha vida neste momento, mas foi algo bom, não sei explicar o motivo.

Talvez porque tenha sido um tapa na cara, algo me dizendo que a minha vida, os meus problemas são bem mais amenos do que os problemas do mundo (não que sejam menos importantes, mas eu posso resolver) e que independente de qualquer coisa, tudo fica bem no final e que não importa o quanto você chore, as lágrimas secam por conta própria.

Thank you, Amy <3

Opinião

Newsletters do amor

09:25


Há quem diga que os blogs acabaram, que ninguém mais os lê e que ficaram obsoletos. Eu digo que eles não só estão vivinhos (mesmo que respirando por aparelhos), mas que deram origem a outro tipo de comunicação, outro tipo de diário virtual muito mais intimista e acolhedor: as newsletters. 

Sabe quando você lê algum texto que se identifica tanto e ao final pensa: "nossa, parece até que fui eu quem escreveu isso"? Já me aconteceu diversas vezes lendo algumas newsletters. Porque mais do que um blog, na news parece que vai mais alma, mais intimidade, mais amor. Por isso gostaria de deixar aqui algumas indicações de newsletters que tocam meu coração e que me sinto abraçada ao lê-las:

 - Drops: A Nath coloca tanto carinho nas news dela que parece estar conversando pessoalmente contigo, é tanto detalhe tão bem pensado que me deixa muito calma e tranquila após receber, amo tudo o que ela faz!

 - Leia Brasileiros: Nesta newsletter, o Giovanni Arceno nos presenteia todos os dias com um trecho diferente de alguma obra de literatura nacional, incentivando assim a leitura dos livros brasileiros, clássicos ou não. É cada coisa maravilhosa que dá vontade de sair lendo tudo.

 - Me deu na telha: Aqui, a Analu nos mostra um pouco do seu mundo e tudo o mais que der na telha e é tudo maravilhoso, inclusive quero conhecê-la!

 - Meu coração é um nervo exposto: A Odhara me parece tão intensa e tão leve ao mesmo tempo, dá uma vontade de abraçar e ser amiga dela pra sempre.

 - No recreio: Anna Vitória foi quem me iniciou no mundo das newsletters, após ela anunciar que não ia mais publicar no blog dela que eu tanto amo, mas não nos deixou órfãs e criou uma newsletter para continuar a dividir sua vida com a gente. Obrigada Anna, amei este novo mundo, quero andar contigo no recreio por muito tempo ainda.

 - Natália Utikava: Natália é nutricionista e vegetariana, assim como eu, e na news ela envia várias dicas sobre esse estilo de alimentação e tem me ajudado bastante nas minhas escolhas.

 - Outra cozinha: A Carla nos fala sobre cozinhar com afeto, além de também ser vegetariana, ela nos mostra que comida é só uma desculpa pra falar das coisas que mantêm a gente vivo.

 - Valkirias: Valkirias é um site sobre cultura pop, feito por mulheres e para mulheres que discute música, cinema, tv, literatura e games e além do site também possuem uma newsletter que é mais como uma conversa mesmo, sempre com assuntos bastante pertinentes.

Essas são as news que no momento estou apaixonada. Gostaria de mais indicações, se alguém tiver vou agradecer muito.

Opinião

It's not easy

10:31

No início do ano eu decidi parar de comer carne.

Não que eu comesse quilos e quilos de carne por dia, na verdade eu comia muito pouco, quem já teve a honra de almoçar comigo sabe que era muito difícil ter carne no meu prato, mas eu comia um peito de frango, uma carne moída, essas coisas assim, nada muito exagerado, mas decidi parar de vez porque a vida é feita de escolhas e a gente escolhe o que considera melhor não é mesmo?

Se tudo fosse simples e tranquilo assim seria ótimo, porém somos julgados o tempo todo por nossas escolhas, não que eu me importe ou tenha que me justificar, mas quero dar minha opinião sobre a minha própria decisão. Decidi não comer mais porque sinto esse chamado desde criança, quando no sítio onde morava via os animais serem abatidos e chorava escondida porque não podia fazer nada para ajudá-los. Também porque não gosto do cheiro nem do sabor da maioria das carnes e comia por "obrigação".

Vejam bem, eu sou nutricionista e quando se está nesse ramo você corre o risco de ouvir todo tipo de "bullshit" relacionado à alimentação, principalmente sobre a sua alimentação, porque você "tem que" dar o exemplo e COMO ASSIM UMA NUTRICIONISTA NÃO COME CARNE? É NA CARNE QUE ESTÃO TODAS AS PROTEÍNAS QUE O CORPO PRECISA E CARNE É VIDA E BLÁ BLÁ BLÁ. Vocês querem ensinar o padre a rezar missa?

Eu estudei quatro anos pra saber disso, ok? Eu sei das proteínas, e tudo mais sobre a carne, eu apenas decidi que não queria mais aquilo pra minha vida. E o fato de eu ter estudado tanto sobre os alimentos, e continuar estudando, é que tem me ajudado muito nessa minha decisão, porque cada dia descubro um prato diferente, uma maneira de substituir, e conseguir todos os nutrientes que preciso, e não, não é só na carne que tem proteína.

Por conta da decisão, conheci várias pessoas muito legais que são vegetarianas a muito mais tempo e que dividem experiências que agregam muito no meu conhecimento sobre o assunto, dentre elas a Carla, do blog Outra Cozinha que em uma das suas newsletters disse uma frase que cabe muito aqui: "Não me incomodo exatamente pelas perguntas, e a curiosidade genuína até me faz ter prazer em responder e falar do assunto. O que não gosto é quando elas são feitas com um tom de incredulidade, como se fosse completamente absurdo e ofensivo que alguém possa ser um pouquinho diferente." E é incrível, mas as pessoas se ofendem com isso, como se o fato de eu não comer carne fosse influenciar na alimentação delas.

Quando vai ficar claro que essa é uma decisão pessoal? Eu decidi por mim mesma, mas não se preocupem, não vou ser a vegetariana chata que sai dando lição de moral em todo mundo e dizendo que todos devem ouvir a palavra do vegetarianismo. É claro que, se alguém se sentir motivado eu darei o total apoio e até ajudo com algumas dúvidas, mas não vou ser militante.

Até porque eu entendo todos os pontos de vista, existem pessoas que amam comer carne e tá tudo bem, existem aquelas pessoas que comem porque apesar de ser um item relativamente caro no mercado é mais acessível do que uma alimentação vegana, por exemplo e tá tudo bem também porque ninguém é melhor do que ninguém por aquilo que come ou deixa de comer, a não ser que você seja o Hannibal, aí talvez seja julgado sim.

Nesses últimos dias a carne está na mídia devido as recentes operações da polícia federal depois das descobertas "chocantes" de empresas que manipulavam carne estragada e colocavam papelão na mistura de determinados tipos de embutidos, dentre outras irregularidades. Isso foi mais um dos motivos que me fizeram acreditar que estou no caminho que eu considero certo, mas se o seu caminho não é esse, ok. Vamos apenas ser empáticos e almoçar juntos, sem ser fiscal de prato de ninguém.